quarta-feira, 27 de abril de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Orientações para o trabalho com alunos surdos
A falta de audição no aluno proporciona alterações na linguagem oral e escrita que deverão ser consideradas. Neste sentido, também as estratégias utilizadas deverão ser diferenciadas dos demais alunos.
Assim, o professor deve:
v Observar se o aluno surdo está atento antes de iniciar a comunicação oral com ele, caso contrário será necessário chamar a sua atenção, tocando-o levemente no ombro;
v Reforçar a importância do uso do aparelho auditivo nas aulas, para facilitar a aprendizagem do discente surdo;
v Colocar o aluno surdo na primeira carteira e de preferência numa das filas do meio;
v Explanar as matérias tendo o cuidado de estar sempre de frente para o aluno surdo, falando nem muito rápido nem muito devagar, com movimentos labiais adequados e articulando corretamente os fonemas. Não deve caminhar na sala enquanto realiza explicações;
v Usar materiais concretos, visuais, que facilitem a aprendizagem, como cartazes, gravuras, fotos, apresentações em power-point, vídeos, etc. É necessário ter em conta que, ao utilizar recursos áudio-visuais (vídeo, DVD), estes deverão ser legendados, uma vez que o aluno surdo não apresenta percepção auditiva necessitando exclusivamente de apoio visual. Caso estes recursos não possam ser legendados deverá ser feito um resumo escrito do filme e/ ou documentário para ser entregue ao aluno;
v Sublinhar palavras-chave ou conceitos importantes;
v Resumir o assunto com os dados essenciais em frases curtas;
v Destacar o verbo das frases, podendo ser necessário ensinar-lhes o seu significado;
v Facultar o uso do dicionário;
v Elaborar provas com:
- um vocabulário simples e claro;
- sinónimos de palavras;
- perguntas sucintas e objetivas.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Quando comunicamos com Surdos devemos ter sempre alguns cuidados:
* Falar de frente para a luz, uma vez que contra ela é impossível de se fazer compreender;
* Ser o mais expressivo possível;
* Articular bem os gestos, sem exagerar os movimentos articulatórios;
* Falar claro e devagar, usando frases simples e curtas;
* Falar só quando o Surdo estiver a olhar para o seu interlocutor;
* Evitar tapar a boca com a mão ou com qualquer objecto, estar a mastigar ou a fumar, etc;
* Na escola o professor deve utilizar toda a espécie de apoios à linguagem (imagens, esquemas, resumos, quadro, caderno, retroprojector, computadores, etc), falar de frente para o aluno Surdo, ter o cuidado de não falar de costas quando escreve no quadro e evitar deslocar-se constantemente pela sala quando fala.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Língua Gestual Portuguesa (LGP)
Não existe uma Língua Gestual universal, comum, a todos os Surdos.
Qualquer língua é entendida como o espelho de uma cultura daí que cada país tenha o seu idioma. Neste sentido, e como cada Língua Gestual é portadora da cultura das pessoas que a utilizam, existe também uma grande variedade de Línguas Gestuais.
Em Portugal, a comunidade Surda usa a Língua Gestual Portuguesa (LGP), uma língua rica e em constante desenvolvimento que permite aos Surdos estarem sempre actualizados e em pleno contacto com o mundo que os rodeia.
A LGP é uma língua visual que se baseia nos movimentos, configuração e orientação das mãos e na expressão facial das pessoas que a usam para comunicar.
Muitas vezes fala-se em “Linguagem Gestual”, o que está errado, já que a LGP tem uma gramática e um dicionário próprios onde os significados aparecem sob a forma de gestos.
Aqui fica um desafio: fazer uma “auto-aprendizagem” do abecedário!
Dactilologia (sistema de representação através das mãos) do abecedário e dos números em LGP
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Falemos hoje um pouco sobre a perda auditiva!
A audição é medida e descrita em decibéis (dB), uma medida relativa da intensidade do som. Quanto maior for o número de decibéis necessários para que uma pessoa possa ouvir, maior é a sua perda auditiva.
Existem dois tipos principais de problemas auditivos. O primeiro afecta o ouvido externo ou médio e provoca dificuldades auditivas "condutivas" (também denominadas de "transmissão"), normalmente tratáveis e curáveis. Ao outro tipo que envolve o ouvido interno ou o nervo auditivo dá-se o nome de surdez neurosensorial.
Existem diferentes graus e tipos de surdez:
v Surdez ligeira: perda auditiva entre os 20 e os 40 dB;
v Surdez moderada: perda auditiva entre os 40 e os 70 dB;
v Surdez severa: perda auditiva entre os 70 e os 90 dB;
v Surdez profunda: perda auditiva a partir dos 90 dB.
Surdez ligeira
Indivíduos com surdez ligeira apresentam dificuldades na compreensão de uma conversa a uma distância superior a 3 metros e em perceber os fonemas das palavras. Pessoas com este tipo e grau de surdez podem demonstrar problemas articulatórios e dificuldades em ouvir os seus interlocutores. Neste sentido, a sua linguagem deve ser estimulada ao mesmo tempo que devem desenvolver a leitura labial.
Surdez moderada
Pessoas com surdez moderada apenas ouvem e percebem a palavra, quando esta é dita com uma voz de certa intensidade. Apresentam dificuldades na aquisição da linguagem e alterações articulatórias, necessitando, por isso, de fazer leitura labial, usar próteses auditivas e de um trabalho de estimulação de linguagem.
Surdez severa
Neste tipo de surdez, as dificuldades auditivas aumentam.
Indivíduos com este grau de surdez necessitam de usar próteses auditivas e, mesmo assim, têm dificuldade em distinguir vogais de consoantes. Daí que seja necessário, o mais precocemente possível, realizar com eles um treino auditivo contínuo, estimular a sua linguagem bem como a sua leitura labial para promover uma maior compreensão.
Surdez profunda
Pessoas com surdez profunda estão totalmente privadas das informações auditivas necessárias para perceber e identificar a voz humana, o que as impede de adquirir naturalmente a linguagem verbal.
Tal como um bébé ouvinte tb o surdo passa pela fase do balbúcio no entanto, as suas emissões começam a desaparecer com o tempo uma vez que não tem acesso à estimulação auditiva externa, factor de grande importância para a aquisição da linguagem oral. Neste sentido, e uma vez que não “usa” a fala como instrumento de comunicação, deixa de se interessar por ela, e, como não tem “feed-back” auditivo, deixa de ter modelo para dirigir as suas emissões.
Apesar disso, os surdos profundos são ensinados a desenvolver a leitura labial, a tomar conhecimento do mundo sonoro (aproveitando os seus resíduos auditivos, sempre que eles existam) e a utilizar todas as vias perceptivas que podem complementar a audição.
Para se expressarem usam a língua gestual, uma língua essencialmente visual que se baseia nos movimentos, na configuração e na orientação das mãos e na expressão facial das pessoas que com ela comunicam.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Olá a todos!
A Escola Secundária Gabriel Pereira é, pelo segundo ano consecutivo, Escola de Referência para o Ensino Bilingue de Alunos Surdos em Évora.
Neste contexto, esta escola tem como objectivo o ensino de alunos com vários tipos e graus de surdez promovendo também o desenvolvimento da Língua Gestual Portuguesa (LGP) como primeira língua aos alunos surdos profundos, bem como o desenvolvimento da referida língua no seu processo de ensino/aprendizagem.
Uma vez que a educação das crianças e jovens surdos deve ser feita em ambientes bilingues que possibilitem o domínio da LGP como primeira língua e do português escrito e, eventualmente, falado, como segunda língua, na nossa escola procuramos aplicar metodologias e estratégias de intervenção interdisciplinares adequadas a todos os alunos surdos.
A criação deste blog tem como intenção partilhar novidades, oferecer algumas informações sobre a Surdez e dar a conhecer actividades realizadas pelos nossos alunos surdos em contexto escolar.
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