quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma das nossas alunas surdas profundas teve um emprego em part-time nas férias da Páscoa.
Foi algo importante na vida desta jovem uma vez que foi uma experiência que se inseriu dentro do mundo do trabalho. Aqui fica o seu testemunho!

Qual era o teu horário de trabalho?
Eu trabalhei duas semanas: às segundas, quartas, quintas e sextas, das 10h até às 19h, e aos domingos, das 12h até às 21h.
Tinhas farda de trabalho?
Sim, usava um avental de cor vermelha.
Que tarefas desempenhavas durante o dia?
Trabalhei no armazém: tirava os produtos das caixas (velas e tapetes), fazia a listagem dos produtos que havia dentro das caixas e colocava-os nos sítios certos, na loja.
Qual a maior dificuldade que encontraste?
Não tive nenhuma dificuldade porque as colegas apoiaram-me muito!
O que gostavas mais de fazer?
Gosto mais de trabalhar no armazém a fazer as listas dos produtos.
Se tivesses possibilidade, gostarias de voltar a trabalhar nesse local? Porquê?
Eu gostei tanto de lá estar que continuo a trabalhar lá ao fim de semana. Gosto muito de fazer a listagem dos produtos.
O que fizeste com o dinheiro com o teu salário?
Comprei roupas e também alguma comida e o resto do dinheiro é para guardar para futuro.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Pessoas importantes para os Surdos

Eis algumas personalidades marcantes dentro da comunidade Surda:

Pedro Ponce de Leon


Pedro Ponce de Leon foi o primeiro homem a fundar uma Escola para Surdos, em Madrid.
Desenvolveu um alfabeto gestual que ajudava os Surdos a soletrar as palavras (há quem defenda a ideia de que esse alfabeto manual foi baseado nos gestos criados por monges, que comunicavam entre si desta maneira pelo facto de terem feito voto de silêncio).





Charles L'Épée

 

Charles Michel de L'Épée, nascido em 1712, foi o fundador da primeira Escola de Surdos do mundo: o Instituto Nacional de SUrdos-Mudos em Paris.
Para o abade, o essencial da educação de surdos era a possibilidade que tinham de aprender a ler e a escrever através da língua de sinais, pois essa era a forma natural que possuíam para expressar as idéias.





Edward Gallaudet

Edward Miner Gallaudet participou da fundação do primeiro colégio universitário para Surdos, que em honra do seu pai foi chamado Gallaudet School.
Esta instituição, fundada em 1857, deu origem à Universidade Gallaudet, localizada na cidade de Washington DC, e é hoje a única instituição de estudos superiores do mundo para pessoas surdas.
A língua oficial da universidade é a ALS (American Sign Language).




Emmanuelle Laborit


Emmanuele Laborit nasceu Surda a 18 de Outubro de 1971 e só conheceu a língua gestual aos 7 anos.
Escreveu um livro autobiográfico, "O Grito da Gaivota”, onde retrata as suas lembranças de infância, a sua adolescência difícil e o início da sua idade adulta autónoma.
É uma conhecida actriz francesa e directora do Teatro Visual Internacional.






Marlee Matlin


Marlee Matlin nasceu no Ilinois a 24 de Agosto de 1965.
Esta actriz surda americana ganhou o Globo de Ouro pela participação no filme Filhos de um Deus Menor.

 

Intérprete de Língua Gestual Portuguesa

O intérprete contribui para que “o surdo ouça com os olhos e fale com as mãos”
(Jerónimo Cardan, séc. XVI).

As Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa a trabalhar na nossa escola escreveram um pequeno texto onde explicam o seu trabalho com professores e alunos.

 Quais as funções do Intérprete de L.G.P? 

ü  O intérprete de L.G.P funciona como um elo de ligação entre a comunidade Surda e a comunidade Ouvinte, de modo a que estas possam comunicar tudo aquilo que desejam.
ü  Este profissional transpõe um discurso emitido oralmente para Língua Gestual e vice-versa, assegurando a comunicação entre as pessoas surdas e ouvintes.
ü  O intérprete permite a integração das pessoas surdas na sociedade, contribuindo para que estas tenham acesso às diferentes informações que as rodeiam.
ü  É fundamental para o Intérprete de L.G.P o contacto permanente com a cultura e comunidade surdas, para que assim possa aperfeiçoar os seus conhecimentos.
ü  O Interprete de L.G.P contribui assim, para a integração/inclusão dos alunos surdos, assumindo um papel de grande importância no contexto educativo.
ü  A lei N°89/99, de 5 de Junho define as condições de acesso e exercício da actividade de intérprete de Língua Gestual Portuguesa.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Orientações para o trabalho com alunos surdos

A falta de audição no aluno proporciona alterações na linguagem oral e escrita que deverão ser consideradas. Neste sentido, também as estratégias utilizadas deverão ser diferenciadas dos demais alunos.
Assim, o professor deve:
v Observar se o aluno surdo está atento antes de iniciar a comunicação oral com ele, caso contrário será necessário chamar a sua atenção, tocando-o levemente no ombro;
v Reforçar a importância do uso do aparelho auditivo nas aulas, para facilitar a aprendizagem do discente surdo;
v Colocar o aluno surdo na primeira carteira e de preferência numa das filas do meio;
v Explanar as matérias tendo o cuidado de estar sempre de frente para o aluno surdo, falando nem muito rápido nem muito devagar, com movimentos labiais adequados e articulando corretamente os fonemas. Não deve caminhar na sala enquanto realiza explicações;
v Usar materiais concretos, visuais, que facilitem a aprendizagem, como cartazes, gravuras, fotos, apresentações em power-point, vídeos, etc. É necessário ter em conta que, ao utilizar recursos áudio-visuais (vídeo, DVD), estes deverão ser legendados, uma vez que o aluno surdo não apresenta percepção auditiva necessitando exclusivamente de apoio visual. Caso estes recursos não possam ser legendados deverá ser feito um resumo escrito do filme e/ ou documentário para ser entregue ao aluno;
v Sublinhar palavras-chave ou conceitos importantes;
v Resumir o assunto com os dados essenciais em frases curtas;
v Destacar o verbo das frases, podendo ser necessário ensinar-lhes o seu significado;
v Facultar o uso do dicionário;
v Elaborar provas com:
- um vocabulário simples e claro;
- sinónimos de palavras;
- perguntas sucintas e objetivas.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Quando comunicamos com Surdos devemos ter sempre alguns cuidados:
* Falar de frente para a luz, uma vez que contra ela é impossível de se fazer compreender;
* Ser o mais expressivo possível;
* Articular bem os gestos, sem exagerar os movimentos articulatórios;
* Falar claro e devagar, usando frases simples e curtas;
* Falar só quando o Surdo estiver a olhar para o seu interlocutor;
* Evitar tapar a boca com a mão ou com qualquer objecto, estar a mastigar ou a fumar, etc;
* Na escola o professor deve utilizar toda a espécie de apoios à linguagem (imagens, esquemas, resumos, quadro, caderno, retroprojector, computadores, etc), falar de frente para o aluno Surdo, ter o cuidado de não falar de costas quando escreve no quadro e evitar deslocar-se constantemente pela sala quando fala.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Língua Gestual Portuguesa (LGP)

Não existe uma Língua Gestual universal, comum, a todos os Surdos.
Qualquer língua é entendida como o espelho de uma cultura daí que cada país tenha o seu idioma. Neste sentido, e como cada Língua Gestual é portadora da cultura das pessoas que a utilizam, existe também uma grande variedade de Línguas Gestuais.
Em Portugal, a comunidade Surda usa a Língua Gestual Portuguesa (LGP), uma língua rica e em constante desenvolvimento que permite aos Surdos estarem sempre actualizados e em pleno contacto com o mundo que os rodeia.
A LGP é uma língua visual que se baseia nos movimentos, configuração e orientação das mãos e na expressão facial das pessoas que a usam para comunicar.
Muitas vezes fala-se em “Linguagem Gestual”, o que está errado, já que a LGP tem uma gramática e um dicionário próprios onde os significados aparecem sob a forma de gestos.
Aqui fica um desafio: fazer uma “auto-aprendizagem” do abecedário!

Dactilologia (sistema de representação através das mãos) do abecedário e dos números em LGP